O termo Deathrock foi utilizado pela primeira vez pelo ícone “gótico/deathrock” Rozz Williams da banda Christian Death em meados dos anos 80, mais precisamente na Califórnia, Estados Unidos. Com o surgimento do gótico na Europa, Rozz Williams em uma entrevista foi perguntando sobre o som de sua banda ser gótico, ironicamente Rozz afirma não ser gótico e sim deathrock. Inclusive mais tarde em outra entrevista ao ser perguntado sobre deathrock, ele diz ser liferock.
Devido o sucesso mundial que o termo gótico começou a fazer o termo deathrock assim como o positive punk londrino não ganhou espaço na mídia, que acabou agregando ambos como parte de sua cena. Durante os anos 90 o gótico começou a se distanciar cada vez mais de sua origem punk, agregando novos elementos ao estilo, a musica eletrônica do EBM ganhava cada vez mais espaço nas festas góticas, e o surgimento do Future Pop criou uma nova onda dentro do gótico, o que acabou gerando o descontentamento de muitos góticos que tinham como preferência o lado mais punk do gótico.
A alguns anos atrás era possível encontrar uma entrevista com Daniel Ribbiat da banda Cinema Strange, antes do sucesso da mesma, reclamando sobre essa “invasão eletrônica”. E foi em 1998 que alguns acontecimentos transformaram uma brincadeira em um novo estilo. O criador do termo deathrock, Rozz Williams foi encontrado morto no dia 1 Abril. Mesmo ano que Mark Splatter resolve criar um site que afirmou como algo pessoal para falar de seus gostos, como o próprio Christian Death, Bauhaus, The Cure, entre outras bandas e acredito eu como uma homenagem a Rozz Williams, nomeou o site como “Deathrock.com”
Neste mesmo período a banda Cinema Strange que resgatava toda a essência da Batcave londrina, da estética e comportamento criado naquela cena, fazia um grande sucesso.
E devido a esses fatores, outros membros daquela cena, descontentes com o gótico da época começaram a adotar o deathrock como um novo estilo, uma resistência ao que o gótico se transformava e um resgate a proposta do Positive Punk, a Batcave, ao valores sociais, comportamentais, estéticos e ideais daquela cena. A valorização da liberdade individual, a subversão no visual andrógino referente aos valores estéticos do masculino e feminino. O uso das vestimentas pretas usadas pelos góticos com influencias e predominância artísticas, mas originaria da idéia punk, uma representação do “slogan” No Future…
O Deathrock é um gênero musical?
Bem, antes de tudo vamos definir o que seria um gênero musical: Categorias de sons musicais que compartilham elementos em comuns tais como: instrumentação, texto, função, estrutura e contexto. Sabemos que algumas bandas contem essas características em comum, até mesmo pela convivência que tinham dentro da cena e influências entre elas e das novas bandas que surgiam, criando assim uma corrente de bandas com características que originariam um gênero musical. Mas vamos a alguns fatos:
Tanto as bandas da cena Christian Death, como por exemplo, o 45 Grave faziam parte da cena Hardcore/Punk e mais tardar da cena gótica, essa segunda inclusive com forte influência do Hard Rock.
Já às bandas Pos Punk, e que tocavam na Batcave, faziam parte das cenas anarcopunk/positive punk e gótica…
Todas as bandas clássicas do deathrock são encontradas em coletâneas referentes ao Gothic Rock, e são ícones da cena gótica.
E alguém consegue ver alguma relação nas características de 45 Grave com um Sex Gang Children, por exemplo? Ou então um Alien Sex Fiend, que boa parte de seu trabalho são musicas Industrial.
Portanto tirem suas próprias conclusões.
O Deathrock no Brasil!
O Deathrock no Brasil teve sua origem na cidade de São Paulo em meados de 2003. Cena representada pela DRSP (Deathrock São Paulo) que apesar de ser um grupo paulista, atingiu adeptos pelo Brasil inteiro. O grupo, agregados, amigos e pessoas que aderiram ao estilo produziram materiais de grande qualidade e de valor para a cena, como os zines Batzone, Acefalia, Marcha Fúnebre, entre outros, e o site Junkeria Nefasta que deixa muitas saudades. Também existiam bandas como o Crippled Ballerinas, Madhouse, Dead Roses Garden, Anorexic Juliet e o evento Vísceras Festival, que foram de grande importância no decorrer da cena gótica e deathrock.
Antes de 2003 o termo deathrock praticamente não era utilizado e as bandas do estilo eram consideradas apenas gothic rock. O que gera até hoje uma confusão em especial entre o pessoal mais velho que tem dificuldade de compreender o que é deathrock, suas origens e sua relação com o gótico.
Mas apesar de tudo isso, algumas atitudes e posturas dessa cena são opostas ao que consideramos ser o deathrock, valores referentes a liberdade, pró-feminismo, e a subversão de valores foram trocados pelo machismo, homofobia e ganguismo. Sem contar a grande valorização de estilos como o Psychobilly e Horror Punk, que apesar de possuírem bandas que consideramos boas, possuem idéias também opostas, com o intuito de afastar o deathrock do gótico, e torná-lo cada vez mais ganguista e o afastando cada vez mais de sua origem na cena positive punk e anarcopunk inglesa conhecida também como peacepunk, que tinha como principal ideal o pacifismo.
Nos dias atuais houve grandes mudanças tanto da cena deathrock como da cena gótica, assim como o crescimento do estilo de forma expressiva em outras localidades brasileiras. Um exemplo disso são as bandas Luiza Fria (DF), que foi uma das grandes revelações da cena deathrock, o Plastique Noir (CE) banda de altíssima qualidade teve uma matéria no site Deathrock.com., a banda Escarlatina Obsessiva (MG), uma das idealizadoras do festival nacional Woodgothic e a banda The Knutz, que saíram em varias matérias de sites gringos conceituados.
Mas mesmo assim, encontramos ainda muito da idéia que fora criado dentro da cena a anos atrás. Quando falamos desse assunto sempre é cobrada uma inovação, mas é preciso entender que não é possível fazê-lo sem antes derrubar essas idéias criadas ao redor da DRSP. Todo “deathrocker” hoje sustenta seus valores na história da DRSP, então fica difícil…
Esperamos que com essa iniciativa, nós que gostamos do deathrock não SÓ como “um som legal para se divertir” busquemos alem de divulgarmos as bandas também nos informemos mais sobre a proposta dentro do deathrock e assim criar uma cena forte e de qualidade.
Texto escrito por Everton Mazo
Visite o blog: www.morcegosresistem.blogspot.com
O texto abaixo é parte integrante do zine Morcegos Resistem que irá ser distribuído em breve.
Para conhecer as bandas vá em ” Guia virtual sobre a Subcultura Gótica e Obscura” onde há links de myspace ou outro das bandas.
Um dia talvez eu surte e refaça todo esse blog. Sempre aparece algo sobre o qual eu quero escrever e acabo passando na frente da fila de textos a escrever. Um dos temas é sobre as divisões, subdivisões, vertentes e/ou estilos relacionados ao gótico. Se eu for esperar eu ou algum amigo escrever sobre cada um deles, acho que isso não sai tão cedo, então já que o Everton Mazo me mandou o texto sobre deathrock praticamente pronto comecemos então pelo deathrock
Um dia talvez eu surte e refaça todo esse blog. Sempre aparece algo sobre o qual eu quero escrever e acabo passando na frente da fila de textos a escrever. Um dos temas é sobre as divisões, subdivisões, vertentes e/ou estilos relacionados ao gótico. Se eu for esperar eu ou algum amigo escrever sobre cada um deles, acho que isso não sai tão cedo, então já que o Everton Mazo me mandou o texto sobre deathrock praticamente pronto comecemos então pelo deathrock
O termo Deathrock foi utilizado pela primeira vez pelo ícone “gótico/deathrock” Rozz Williams da banda Christian Death em meados dos anos 80, mais precisamente na Califórnia, Estados Unidos. Com o surgimento do gótico na Europa, Rozz Williams em uma entrevista foi perguntando sobre o som de sua banda ser gótico, ironicamente Rozz afirma não ser gótico e sim deathrock. Inclusive mais tarde em outra entrevista ao ser perguntado sobre deathrock, ele diz ser liferock.
Devido o sucesso mundial que o termo gótico começou a fazer o termo deathrock assim como o positive punk londrino não ganhou espaço na mídia, que acabou agregando ambos como parte de sua cena. Durante os anos 90 o gótico começou a se distanciar cada vez mais de sua origem punk, agregando novos elementos ao estilo, a musica eletrônica do EBM ganhava cada vez mais espaço nas festas góticas, e o surgimento do Future Pop criou uma nova onda dentro do gótico, o que acabou gerando o descontentamento de muitos góticos que tinham como preferência o lado mais punk do gótico.
A alguns anos atrás era possível encontrar uma entrevista com Daniel Ribbiat da banda Cinema Strange, antes do sucesso da mesma, reclamando sobre essa “invasão eletrônica”. E foi em 1998 que alguns acontecimentos transformaram uma brincadeira em um novo estilo. O criador do termo deathrock, Rozz Williams foi encontrado morto no dia 1 Abril. Mesmo ano que Mark Splatter resolve criar um site que afirmou como algo pessoal para falar de seus gostos, como o próprio Christian Death, Bauhaus, The Cure, entre outras bandas e acredito eu como uma homenagem a Rozz Williams, nomeou o site como “Deathrock.com”
Neste mesmo período a banda Cinema Strange que resgatava toda a essência da Batcave londrina, da estética e comportamento criado naquela cena, fazia um grande sucesso.
E devido a esses fatores, outros membros daquela cena, descontentes com o gótico da época começaram a adotar o deathrock como um novo estilo, uma resistência ao que o gótico se transformava e um resgate a proposta do Positive Punk, a Batcave, ao valores sociais, comportamentais, estéticos e ideais daquela cena. A valorização da liberdade individual, a subversão no visual andrógino referente aos valores estéticos do masculino e feminino. O uso das vestimentas pretas usadas pelos góticos com influencias e predominância artísticas, mas originaria da idéia punk, uma representação do “slogan” No Future…
O Deathrock é um gênero musical?
Bem, antes de tudo vamos definir o que seria um gênero musical: Categorias de sons musicais que compartilham elementos em comuns tais como: instrumentação, texto, função, estrutura e contexto. Sabemos que algumas bandas contem essas características em comum, até mesmo pela convivência que tinham dentro da cena e influências entre elas e das novas bandas que surgiam, criando assim uma corrente de bandas com características que originariam um gênero musical. Mas vamos a alguns fatos:
Tanto as bandas da cena Christian Death, como por exemplo, o 45 Grave faziam parte da cena Hardcore/Punk e mais tardar da cena gótica, essa segunda inclusive com forte influência do Hard Rock.
Já às bandas Pos Punk, e que tocavam na Batcave, faziam parte das cenas anarcopunk/positive punk e gótica…
Todas as bandas clássicas do deathrock são encontradas em coletâneas referentes ao Gothic Rock, e são ícones da cena gótica.
E alguém consegue ver alguma relação nas características de 45 Grave com um Sex Gang Children, por exemplo? Ou então um Alien Sex Fiend, que boa parte de seu trabalho são musicas Industrial.
Portanto tirem suas próprias conclusões.
O Deathrock no Brasil!
O Deathrock no Brasil teve sua origem na cidade de São Paulo em meados de 2003. Cena representada pela DRSP (Deathrock São Paulo) que apesar de ser um grupo paulista, atingiu adeptos pelo Brasil inteiro.
O grupo, agregados, amigos e pessoas que aderiram ao estilo produziram materiais de grande qualidade e de valor para a cena, como os zines Batzone, Acefalia, Marcha Fúnebre, entre outros, e o site Junkeria Nefasta que deixa muitas saudades. Também existiam bandas como o Crippled Ballerinas, Madhouse, Dead Roses Garden, Anorexic Juliet e o evento Vísceras Festival, que foram de grande importância no decorrer da cena gótica e deathrock.
Antes de 2003 o termo deathrock praticamente não era utilizado e as bandas do estilo eram consideradas apenas gothic rock. O que gera até hoje uma confusão em especial entre o pessoal mais velho que tem dificuldade de compreender o que é deathrock, suas origens e sua relação com o gótico.
Mas apesar de tudo isso, algumas atitudes e posturas dessa cena são opostas ao que consideramos ser o deathrock, valores referentes a liberdade, pró-feminismo, e a subversão de valores foram trocados pelo machismo, homofobia e ganguismo. Sem contar a grande valorização de estilos como o Psychobilly e Horror Punk, que apesar de possuírem bandas que consideramos boas, possuem idéias também opostas, com o intuito de afastar o deathrock do gótico, e torná-lo cada vez mais ganguista e o afastando cada vez mais de sua origem na cena positive punk e anarcopunk inglesa conhecida também como peacepunk, que tinha como principal ideal o pacifismo.
Nos dias atuais houve grandes mudanças tanto da cena deathrock como da cena gótica, assim como o crescimento do estilo de forma expressiva em outras localidades brasileiras. Um exemplo disso são as bandas Luiza Fria (DF), que foi uma das grandes revelações da cena deathrock, o Plastique Noir (CE) banda de altíssima qualidade teve uma matéria no site Deathrock.com., a banda Escarlatina Obsessiva (MG), uma das idealizadoras do festival nacional Woodgothic e a banda The Knutz, que saíram em varias matérias de sites gringos conceituados.
Mas mesmo assim, encontramos ainda muito da idéia que fora criado dentro da cena a anos atrás. Quando falamos desse assunto sempre é cobrada uma inovação, mas é preciso entender que não é possível fazê-lo sem antes derrubar essas idéias criadas ao redor da DRSP. Todo “deathrocker” hoje sustenta seus valores na história da DRSP, então fica difícil…
Esperamos que com essa iniciativa, nós que gostamos do deathrock não SÓ como “um som legal para se divertir” busquemos alem de divulgarmos as bandas também nos informemos mais sobre a proposta dentro do deathrock e assim criar uma cena forte e de qualidade.
Texto escrito por Everton Mazo.
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